Assentados diversificam produção de orgânicos em Mato Grosso do Sul

14/07/2016 12:39

Agricultores assentados investem na diversificação da produção de orgânicos em Mato Grosso do Sul. O cultivo de algodão do tipo garante a produção de plumas nas cores marrom, rubi, branca e verde que são transformados em roupas negociadas em boutiques, conforme informou o produtor Vitor Carlos Neves, residente no lote 264 do Projeto de Assentamento Itamarati, em Ponta Porã. “Produtores do gênero estão integrados a uma cadeia produtiva que vai das lavouras até o produto final. Nós recebemos o valor de todo o trabalho somente depois de vendidas as roupas de cama, mesa e banho, camisas, camisetas, saias, blusas, entre outros artigos, inclusive chinelos. Uma vez por ano realizamos reunião para o acerto de contas. O algodão é uma fonte de renda para nós, que temos outros meios para o sustento da família e das atividades no lote”, disse.

 

Neves afirmou que vendendo o algodão convencional, ganha R$ 4,60 por quilo. O orgânico é quase R$ 5,00 mais caro, com pagamento de R$ 9,50 o quilo da pluma. “No Mato Grosso do Sul existem 106 famílias assentadas pelo Incra envolvidas com o algodão colorido e 33 desse total está em processo de certificação para iniciar a comercialização. Entretanto, ainda conforme o assentado, “foi o maracujá orgânico que abriu as portas para esse mundo diferente que estamos vivendo com tanta diversificação do gênero. A fruta garante rendimentos necessários para sustentar os investimentos nessa diversificação. Além do algodão, estamos produzindo e comercializando tomate, frutas, verduras, legumes e leite orgânicos”.

 

Aparecido dos Santos, do lote 116, tem a mesma visão de Neves sobre o valor do maracujá. “A gente só produz a fruta. A fábrica vem colher e levar o produto na lavoura, por R$ 13,50 a caixa com 13 quilos”. Ele também está integrado na agroecologia, produz maracujá e algodão e está experimentando abacaxi, com o objetivo de criar em todo o lote que recebeu do Incra/MS a produção de várias espécies da fruticultura de forma orgânica.

 

Outros assentados também investiram na produção orgânica. Davi Offmann, do lote 157, cultiva verduras, a exemplo de Eduardo Brum, residente no lote 1.434. Marluci Foresti, esposa de Vitor Neves, está produzindo leite orgânico. Ela possui 10 vacas leiteiras e também trata de animais com homeopatia, há 10 anos, para ajudar nas despesas.

 

Militância

 

O mesmo ânimo encontrado no PA Itamarati, a 370 quilômetros de Campo Grande, no extremo sul do estado, existe em outros sete municípios. A expansão dos cuidados para a produção de alimentos ecologicamente corretos começou há cinco anos, com o trabalho da Irmã Olga Manosso. Ela veio de São Marcos (RS) e mora no assentamento há cinco anos, onde trabalha com os agricultores familiares, coordenando a Associação do Assentamento Itamarati, na qual são desenvolvidas diversas atividades econômicas e sociais, além de centro de recepção da produção de hortifrutigranjeiros que são vendidos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

 

Irmã Olga esclareceu que o trabalho realizado contém boa dose de orientações a fim de incentivar o desenvolvimento da agroecologia. “Eu não trabalho para conseguir financiamento aos assentados. Eu oriento, entro na discussão para saber quem realmente está a fim de trabalhar para organizar uma cooperativa, associação ou sociedade e ter bons resultados nos negócios. A gente tem que acabar, de imediato, com disputas de posições, fazendo que todos entendam que o principal é colocar o projeto em prática, pois o resto vai dando certo”.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Incra/MS Foto: Incra/MS